Dor e saudade marcam cerimônia de despedida do jornalista Ramiro Guedes em Teixeira de Freitas

Ao longo de todo o dia desta sexta-feira, dia 25 de junho, amigos, familiares, intelectuais, escritores, poetas, radialistas, jornalistas, imortais das academias de letras de várias regiões do país, familiares e milhares de ouvintes dedicaram-se a prestar uma última homenagem ao comunicador Ramiro Guedes que faleceu nesta sexta-feira, dia 25 de junho. O caixão foi coberto com a bandeira do seu time do coração, o “Cruzeiro” e com a sua pelerine da ATL – Academia Teixeirense de Letras.

O velório de Ramiro Guedes aconteceu no Plenário Francistônio Alves Pinto da Câmara Municipal de Teixeira de Freitas e o sepultamento ocorreu às 17h30 desta sexta-feira (25) no Cemitério Jardim da Saudade no bairro Jardim Liberdade, na zona oeste da cidade. Cumprido um desejo do próprio Ramiro Guedes, o seu corpo foi sepultado na mesma jazida onde está o seu filho Luciano Guedes, falecido em 1997.

O letrista, jornalista, radialista e poeta Ramiro Guedes, titular da Cadeira nº 07 da ATL – Academia Teixeirense de Letras, morreu às 05h30 da manhã desta sexta-feira (25). No domingo do último dia 23 de maio, ele começou a se sentir mal com diarreia e vômito, ao passar pelo médico, estava com a saturação baixa e na tomografia demonstrou que o pulmão estava 75% comprometido e os rins parados, e com água na pleura, não estava conseguindo urinar. No dia 25 de maio, ele foi internado numa UTI – Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Municipal de Teixeira de Freitas e, em razão das complicações de saúde, teve que ser entubado.

Ele possuía alguns problemas de saúde, notadamente a diabetes, que inclusive no início do ano se viu obrigado a amputar o dedão do pé direito. Também sentindo falta de ar, ele foi levado ao hospital onde fez o teste para a Covid-19 e deu negativo. Com todo o quadro de enfermidade, ele foi internado e entubado. Ele havia apresentado uma melhora nos últimos 5 dias, mas na manhã de hoje (25), exatos 30 dias após sua internação, chegou a confirmação do seu falecimento.

Mesmo com o advento da pandemia, tomando-se todos os cuidados necessários e o distanciamento preventivo, não impediu que centenas e centenas de pessoas passassem pelo velório e prestassem a última mensagem de despedida. A deputada estadual Maria del Carmen (PT), afirmou na sua mensagem que Teixeira de Freitas chora a perda de um dos seus mais ilustres intelectuais, afirmando que a região não perdeu somente uma pessoa por quem sempre nutriu admiração, mas também um amigo pessoal de longa data.

A ex-vereadora Erlita Freitas, companheira de muitos projetos ao lado do jornalista, enalteceu a vida e a obra do amigo Ramiro Guedes. “Teixeira de Freitas, hoje chora a despedida de um dos grandes jornalistas do Rádio e da comunicação escrita da região do extremo sul da Bahia. Vá em paz meu guerreiro militante das causas dos mais pobres desse Brasil, você viverá presente em nossos corações e mentes em todos os momentos de nossas lutas por dias melhores. Ramiro Guedes presente!!!”, assim Erlita imortalizou o amigo.

O vereador e jornalista Joris Bento Xavier lamentou a morte do mestre Ramiro Guedes lembrando o início da sua carreira. “Perdemos hoje um dos nossos principais personagens do jornalismo regional. Ramiro Guedes colocou o meu pai no rádio e alguns anos depois foi também o responsável por me iniciar e me ensinar as maiores virtudes do jornalismo”, disse o parlamentar, filho do também saudoso Gel Lopes, morto em fevereiro de 2007.

O comerciante e ex-vereador Marcílio Goulart, cunhado de Ramiro Guedes, enalteceu o legado deixado pelo jornalista. “É com muito pesar que hoje choramos o falecimento do ícone do rádio teixeirense. Ramiro Guedes, da cultura, do jornalismo, do almoço a brasileira, dos livros escritos e acima de tudo do ser humano que foi. Fico contente por tê-lo homenageado ainda em vida, pelo brilhante trabalho desenvolvido para o jornalismo de Teixeira de Freitas. Descanse em paz meu cunhado/amigo, pois o seu legado estará vivo na memória das pessoas que tiveram a honra da sua convivência. Deus é contigo”.

A radialista Tina Maria Figueiredo, diretora regional do SINTERP –  Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e de Publicidade no Estado da Bahia, disse que a morte de Ramiro Guedes foi uma perda gigante. “É uma triste perda. Ramiro Guedes era a nossa maior referência radiofônica nesta região e a maioria de nós fomos alunos deste homem que só fez amigos e tanto nos doutrinou. Que a vida abrace todas as pessoas que estão sofrendo com a morte do nosso querido Ramiro. É uma dor angustiante, dura de aceitar. Penso que por mais que nos preparemos, a verdade é que jamais poderemos lidar com naturalidade com a morte, com a finitude da existência. Que Deus encha de amor e conforte os corações de todos que estão sofrendo com esta tão grande perda”, expressou Tina Figueiredo.

O radialista Samuca Macedo, um tradicional profissional do radiojornalismo na região e amigo de uma vida inteira de Ramiro Guedes, disse que o seu legado é o que acalenta os que ficam. “Ramiro Guedes era muito especial na minha vida. Ele era alguém que me marcou pela sua generosidade, pela sua alegria contagiante e disponibilidade para ajudar quem mais precisava. As memórias que guardo são as melhores e o sentimento forte que nos uniu será preservado para sempre. Meu coração está com todos os seus familiares e amigos. Ele segue para o descanso eterno na certeza que cumpriu a sua missão”, lamentou Samuca Macedo.

O filho Ruan Pablo ao lado da sua irmã Maíra Guedes, ao homenageá-lo, incorporou o espírito esportivo e dócil do seu pai e refrescou lembranças memoráveis do seu time do coração, o “Cruzeiro”.  “É uma dor gigantesca que invadiu os nossos corações e que nos lançou na mais profunda das tristezas. Queremos agradecer a todos pelas diversas manifestações de carinho. Sem dúvida que o momento em que nos despedimos de alguém que nos era querido e que tanto amamos é dos mais difíceis, mas nos conforta saber que nosso pai tinha tantos e bons amigos”, disse Ruan Pablo.

O advogado Élcio Morais, amigo de uma vida e companheiro de torcida pelo “Cruzeiro” ao lado de Ramiro Guedes, lamentou profundamente a morte do amigo querido. “Ramiro Guedes era uma referência de sabedoria e de honradez, que hoje carregamos o peso de uma saudade que já se faz sentir. Nesta hora de dizer adeus, recordo cada momento que passamos juntos. É triste pensar que eles não se repetirão, mas também tenho certeza que continuarão na minha memória. Ramiro Guedes era uma pessoa especial e muito amada por todos. Aprendi muito com ele, com sua determinação e amor à vida, e agora tudo que mais quero depois dessa sua passagem para o plano eterno é que Deus lhe conceda descanso eterno”, enfatizou o advogado Élcio Morais.

O escritor e jornalista Athylla Borborema, presidente da Academia Teixeirense de Letras, ao prestar a sua última homenagem em nome da ATL, descreveu a trajetória e a grandeza da sabedoria de Ramiro Guedes e disse, que a região perdeu um dos melhores quadros da literatura, mas que o céu estava em festa pela sua chegada na eternidade divina. “Ramiro Guedes foi um amigo, um orientador, um professor, um homem de Fé e Razão, com uma história de honradez, de trabalho em defesa da cultura, defendeu suas posições com ética e elevado espírito público. Homem de princípios que honrou o exercício da atividade jornalística e dignificou a literatura. Fez do rádio a arte da construção ao abrir infinitas portas para o diálogo e o ordenamento institucional. A ATL realizará em breve a sessão da saudade em homenagem ao confrade Ramiro Guedes que se consagrou na imortalidade”, disse Athylla Borborema, presidente da Academia Teixeirense de Letras.

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