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O Adeus ao ex-prefeito Orlandino Lopes da Paixão, o maior líder popular de todos os tempos de Itamaraju

A população do município recebeu com muito sentimento nesta terça-feira (24/03), a notícia do falecimento do médico e ex-prefeito de Itamaraju, Orlandino Lopes da Paixão. Ele se recuperava em casa de um acidente vascular cerebral após sofrer um AVC no final do ano de 2019 e ter obtido alta do Hospital Sobrasa em Teixeira de Freitas no dia 20 de janeiro de 2020. O “Doutor Orlandino” como era popularmente conhecido foi prefeito por duas gestões do município de Itamaraju e se consolidou como médico desde jovem, tendo clinicado em Itamaraju de 1965 a 1982, porque houve uma pausa efetiva de 15 anos da sua atuação na medicina, quando se dedicou a política, mas em 1998 ele retorna à medicina e trabalha até 2018, quando se aposenta como médico. Tratou-se de um homem de muitas histórias, salvou muitas vidas, consolidou muitas uniões, construiu grandes obras, viveu a política na sua plenitude e deixa uma memória apreciável.

Biografia

O médico Orlandino Lopes da Paixão nasceu no dia 29 de outubro de 1937 na cidade de Salinas das Margaridas, município banhado pela Baía de Todos os Santos, às margens limítrofes com a Ilha de Itaparaica, no sul do recôncavo da Bahia. Em Salinas das Margaridas, sua terra natal, está radicada a maioria dos seus familiares até os dias atuais. Formado em medicina pela Universidade Federal da Bahia no ano de 1963, o jovem Orlandino Lopes da Paixão chega em Itamaraju para atuar como médico em 1965, quatro anos após a emancipação político administrativa do município. Em 1967 se casa com uma filha da cidade, a bela jovem Ana Margarida, que agora fica viúva depois de 53 anos de união e juntos tiveram dois filhos, Gustavo e Grabiel Paixão e ainda dois netos, Pedro e Davi.

E da cidade, o “Doutor Orlandino” como sempre foi popularmente conhecido na região, nunca mais se mudaria. Se tornou a maior referência médica da sua época em Itamaraju e se tornou um clínico geral bem sucedido pelo apreço e amor que seus clientes e pacientes carregavam de seu carisma e percepção clínica. Ele atuou como médico até os 80 anos, carregando consigo o título de um dos mais conceituados do município e um dos mais preferidos da população. Era clínico geral e obstetra e ao longo da sua vida como médico realizou mais de 10 mil partos e fazia questão de batizar todas as crianças que promovia o nascimento e por isso, deixou mais de dez mil casais de compadres. Fundou e construiu o Hospital São Vicente, na Avenida Brasil onde clinicou até o ano de 1982, quando afastou-se da medicina por 15 anos para se dedicar a política nas décadas de oitenta e noventa e consequentemente acabou vendendo a unidade para o seu colega médico Ronaldo Adelino da Silva (in memória).

Ao candidatar-se a prefeito de Iamaraju em 1982, venceu as eleições numa circunstância fenomenal para uma gestão de 6 anos no período de 1983 a 1988, depois elegeu o seu sucessor Ailton da Costa Pereira com folga e foi novamente eleito com 81,03% dos votos válidos para uma gestão de mais 4 anos no período de 1993 a 1996. Uma época que promoveu grandes obras públicas no município e foi considerado o maior ídolo político de Itamaraju por duas décadas, quando carregava multidões para os seus movimentos políticos e ganhou a intitulação de “o pai do povo pobre”. Dada ao carisma e simpatia, abria as portas da sua casa para atender o povo até altas horas da noite.

Quando prefeito Orlandino Lopes da Paixão desenvolveu medidas indispensáveis para o incremento da força produtiva do território com políticas de valorização ao homem do campo, proteção dos direitos da pessoa humana, construiu políticas de segurança pública, desenvolveu projetos voltados para o dia a dia das pessoas, sobretudo, os mais pobres. Foi um político que tinha muito zelo e proximidade com o povo, apresentava soluções e esperança.

Reuniu requisitos, por ter construído sua vida em Itamaraju e deixou um perfil de sucesso como obstetra e como clínico e, como prefeito que foi duas vezes da cidade, deixou uma marca salutar na administração pública e saiu com o nome honrado.

Nos anos de 1988 e 1989 capitaneou o processo de emancipação de parte do território de Itamaraju, ao oeste do município na divisa com Minas Gerais, para emancipação do distrito do Chumbo, atualmente a cidade de Jucuruçu, que na sua demarcação levou mais 8 povoamentos e mesmo assim Itamaraju permaneceu como o maior território entre os 21 municípios do extremo sul da Bahia. Como forma de homenageá-lo, a população jucuruçuense lhe imortalizou na maior Escola Municipal do distrito de Monte Azul. A política estava no seu sangue, tanto que em todos os pleitos que se seguiram após a sua época, ele permaneceu articulando e apoiando as candidaturas e sempre foi apoio importante para os candidatos.

Implementou em Itamaraju grandes obras públicas que até hoje são marcas essenciais que estão servindo à população como a idealização da Praça do Mercado, Mercado da Feira Livre da Cidade Baixa, Mercado de Açougue, Escola Reitor Edgar Santos, Centro Educacional de Itamaraju, Ponte do bairro São Bernardo sobre o Rio Jucuruçu, Estádio Juarez Barbosa, além de outras obras de infraestrutura e inúmeras escolas construídas no interior do município, obras de pavimentação e os seus famosos eventos de São João. Foi um médico da mão santa, um político que olhava primeiro para o menos favorecidos, um cidadão dócil, um marido companheiro, um pai carinhoso, um avô apaixonado, um homem do coração extraordinário, um ser humano comprometido e que parte para eternidade aos 82 anos, deixando um legado histórico e material ao município que tão bem o acolheu outrora e imortalizado com o título de maior líder popular de todos os tempos de Itamaraju. (Por Athylla Borborema)

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