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Caravelas/Itamaraju: Faria hoje 100 anos o professor Benedito Pereira Ralile

Por Athylla Borborema

Faria hoje (19 de junho de 2021), exatos 100 anos de vida se vivo estivesse, o professor Benedito Pereira Ralile. Personagem importante da história educacional de Itamaraju, nascido em Caravelas em 19 de junho de 1921. Ele foi um bandeirante do direito e da justiça no extremo sul da Bahia, filho biológico de Caravelas e adotado por Itamaraju.

O professor Benedito Pereira Ralile foi um advogado pioneiro, precursor do magistério, transmitindo saber e educando, dirigindo estabelecimentos de ensino e implantando novos cursos, fazendo acontecer nos tribunais do júri e nas tribunas maçônicas, empolgando nas comemorações cívicas da semana da pátria, contornando situações e promovendo apaziguamentos, aconselhando e praticando filantropia.

Na sabedoria, Benedito Pereira Ralile puxou o seu avô paterno, o escritor Firmino Pereira. Quando adolescente foi estudar em Teófilo-Otoni, onde cursou História Geral. Mas foi em Caravelas que ele começou a escrever a sua história como professor e onde fundou os principais colégios tradicionais da cidade.

Em Itamaraju, onde chegou aos 29 anos, em 1950, foi professor de notório saber e fundou as escolas Augusto Carvalho e Visconde do Cairú, criou os cursos de contabilidade, administração e magistério. Foi também fundador da Loja Maçônica Deus Caridade e Justiça, e do Rotary Clube.

Em Itamaraju foi mestre de ilustres filhos da terra, dentre eles: o advogado Roberto Rodrigues, tabelião Geraldo Rodrigues, professora Olga Polon, professora Vilma Ramos, advogada Lucélia de Almeida Andrade, advogada Tânia Almeida, a médica Miraci Moutinho, dentre tantos outros que se orgulham de carregar no currículo o seu nome como mestre.

Foi primeiro casado com Marli Ralile, com a qual teve 5 filhos: Eunice, Tanos, Petrônio, Wellington e Roberto Ralile. No seu segundo casamento com Dilza Machado Ralile, teve duas filhas adotivas: Ana e Simone. Antes, no entanto, namorou com Maria Helena e deste relacionamento nasceu Carlos Benedito de Souza, um intelectual como o pai e presidente da Fundação Benedito Pereira Ralile. Mais tarde, Carlos lhe deu uma neta, a jornalista doutora em jornalismo científico Scheilla Franca de Souza.

Em 2006, o filho Carlos Souza e sua filha Scheilla Souza, escreveram o livro “Relatos Históricos de Caravelas” em homenagem ao pai e avô Benedito Pereira Ralile. Ele deixou cerca de 12 netos e 16 bisnetos, a maioria residindo em Itamaraju e todos herdaram a inteligência do avô, muitos ocupando altos cargos na comunidade jurídica e no magistério, muitos deles são especialistas, mestres, doutores e até pós-doutores.

Ele era católico praticante e devoto de Nossa Senhora Aparecida e foi justamente no dia da padroeira do Brasil que ocorreu o seu passamento aos 63 anos de idade. A lacuna deixada com o seu falecimento no dia 12 de outubro de 1984, foi uma longa e imensurável cratera. Submetido às três rigorosas intervenções cirúrgicas, na tentativa extrema de lhe evitarem a transferência para o Oriente Eterno, a sua partida foi inevitável.

Contou na época a sua companheira, dona Dilza Ralile, que no seu momento chegado, ao meio-dia em ponto daquela sexta-feira, ele despediu-se dela dizendo: “Muito Obrigado por tudo... estou penetrando no reino do senhor, livre e redimido”. Ao anunciar a sua morte na ocasião, o decano jornalista João Araújo, editor-chefe do extinto Jornal Independente, estampou a seguinte manchete: “Eclipse total no céu: falece professor Benedito Pereira Ralile”.

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